Jogos de Tabuleiro Modernos – Agora a brincadeira ficou séria!

War, Banco Imobiliário, Imagem e Ação, Jogo da Vida, Detetive… Bem provável jovem aprendiz que esses jogos de tabuleiro fazem parte do seu imaginário e de tantos outros, trazendo lembranças boas e saudosas de horas e horas de muita diversão com amigos ou família. Porém, esse hobby se tornou cada vez mais sério de alguns anos para cá, com jogos mais elaborados e artísticos. Esses são os chamados Jogos de Tabuleiro Modernos. Surgidos e feitos em sua maioria na Europa, eles exigem mais de seus jogadores, fazendo da atividade uma verdadeira paixão.

Não se exceda e estrague a alegria da galera.

Mas qual a diferença dos jogos de tabuleiro clássicos para os modernos?

Nos jogos de tabuleiros mais elaborados, existem diferenças principalmente na jogabilidade. Existem critérios em comum nesses jogos para que sejam caracterizados como tal. Entre eles:

  • Os jogos de tabuleiro modernos se baseiam em mecânicas que visam deixar o jogo balanceado e divertido, seja através de estratégias pesadas ou de mecânicas simples, mas bem feitas;
  • Não costuma haver eliminação precoce de jogadores; todos mantém-se com chance de vencer, mesmo que pequena, até o final do jogo. ( ou seja, você não corre o risco de ficar com apenas um país no war, fazendo sua rodada em 30 segundos, enquanto os seus amigos levam 20 minutos por rodada );
  • Os jogos são fluidos e tendem a ter um pequeno “downtime” ( tempo em que os jogadores esperam o outro fazer sua ação ).  Alguns jogos, inclusive, fazem com que todos joguem simultaneamente;
  • Existe todo um capricho na construção do jogo. Seja no material ( famosos cubinhos de madeira, meeples, dados ) e/ou na arte ( não é incomum você dar uma parada no meio de uma partida para apreciar a parte artística do jogo );
  • Temática: aqui já entramos numa questão um pouquinho mais complexa. Os jogos de tabuleiro moderno podem ser divididos em dois principais tipos. “Eurogames” e “Ameritrash”. Nos Eurogames o tema é apenas um pano de fundo para uma mistura de mecânicas, geralmente complexas, que envolvem pouca sorte e MUITA estratégia. Já os ameritrash são jogos em que o tema é levado a sério. Você usara miniaturas, terá uma história interessante e se sentirá imerso num mundo novo ( batalhas espaciais, combater zumbis, invadir castelos.. )

Além de regras e características mais aprimoradas, os jogos de tabuleiro modernos também se destacam pelo capricho com o visual e atenção aos detalhes. Seja com ilustrações feitas por profissionais premiados ou peças cuidadosamente elaboradas, os itens de cada jogo tornam a atividade ainda mais prazerosa, além de virar verdadeiros artigos de colecionadores. Pois bem, olhando para esses tópicos já vemos que muito dos jogos de tabuleiro que temos como referência não são, na verdade, boardgames modernos.

Imaginem um War ou um banco imobiliário, mas com uma complexidade maior, maior número de opções de ação dentro do jogo, miniaturas bem feitas, cubinhos de madeira por tudo que é canto, alta rejogabilidade, menor tempo de espera entre os turnos, não ser eliminado e ficar esperando o jogo acabar por mais 2 horas… é… mais ou menos por aí!

Então os jogos de tabuleiro moderno são novidades? Bom, não exatamente. Na Europa (de onde surgiram os “eurogames” ou “germain style board games”) eles começaram a aparecer com mais força nos meados da década de 80. Porém, foi na década de 90 que a coisa começou a crescer. Um jogo chamado colonizadores de Catan, lançado na Alemanha em 1995, conquistou o mundo com mais de 22 milhões de unidades vendidas em mais de 30 países. O jogo fez tanto sucesso que chegou a receber o título de “The boardgame of our time” pelo famoso jornal norte-americano The Washington Post. Depois dele, um novo mercado surgiu e vem se tornando cada vez mais forte. Vários outros jogos passaram a marca dos milhões, como Ticket to Ride e  Carcassonne.

Colonizadores de Catan – “Eurogame” precursor dos Jogos de Tabuleiro Modernos

A era dos financiamentos coletivos também tem contribuído bastante para o crescimento desse mercado. Você talvez já tenha ouvido falar do Zombicide. Esse boardgame que trás para a mesa muitos zumbis e uma ação cooperativa em busca da sobrevivência é um dos maiores sucessos dos últimos tempos. Outro recente mega-hit é o boardgame baseado no mundo do Dark Souls; ele conseguiu levantar mais de 5 milhões de dólares durante sua campanha. No Brasil também temos vários financiamentos coletivos bem sucedidos, como os recentes Space Cantina, Grasse – Mestres Perfumistas,  Zona Magica e Possessão Arcana.

Uma das características mais legais nos boardgames é a sua imersão social. Ao invés de você se isolar do mundo, em seu celular, sua TV e videogame, você pode juntar sua namorada, irmão, amigos e, juntos, enfrentarem uma apocalipse zumbi, participarem de uma corrida de camelos, explorar novos planetas, ou simplesmente administrarem a sua própria fazenda. Em meio a uma era digital, conseguir sair um pouco do modo “online” e sentar ao redor de uma mesa para jogar pode ser mais inovador e  divertido do que você imagina.

Bom, e o que falta para os boardgames entrarem de vez no mercado brasileiro?  Tendo em vista a recente explosão da cultura nerd (videogames, super-heróis, hqs), é questão de tempo até esse hobbie se expandir de vez. Talvez o que esteja faltando seja divulgação para o público “leigo”. O que temos, hoje, é um excesso de marketing voltando para um público fechado, que já é adepto aos jogos.

No Brasil, algumas editoras e marcas vendem jogos produzidos no país ou trazidos de fora. A tradicional marca brasileira de brinquedos, Grow, fez sua própria versão de jogos famosos no exterior, como Colonizadores de Catan, Puerto RicoIstambul e The Castles of Burgundy. A Galápagos Jogos também é outra editora forte na área no Brasil, com novidades constantes em seu portfólio, traduzem jogos de sucesso e premiados lá fora. Em seu catálogo há jogos como Zombiecide, Arkham Horror, 7 Wonders, Dixit e Ticket to Ride.

Galápagos Jogos sempre presente na CCXP

Já existem espalhadas pelo Brasil inúmeras lojas/ludotecas nas quais além de comprar o seu jogo você pode sentar e, além de conhecer uma galera bacana, aprender a jogar.

Salão da Ludus Luderia, a primeira do Brasil

Agora que você já tem uma boa ideia do que é um jogo de tabuleiro moderno, de uma pesquisada na internet e veja como você pode conhecer melhor esse hobbie. 

Jogos de tabuleiro no processo de construção de aprendizagem

Olá senhoritas e “senhoritos” que acompanham nossa página! Que tal falarmos de algo extremamente prazeroso pra mim: JOGOS DE TABULEIROS.

Não somente apresentarei vários dos jogos ligados à elementos históricos e/ou outros tantos que têm haver com as outras disciplinas escolares, como também os que simplesmente nos divertam, fazem pensar de forma diferente, nos fazem expressar, enfim… Como a proposta da página é ser EDUCATIVA, GEEK, NERD, CINÉFILA e tudo mais ligada à CULTURA POP, estaremos aproveitando-a ao máximo para que seu conhecimento a sua experiência seja incrível e imersível.

Beleza! Mas qual a relação dos jogos de tabuleiro e a educação “fessor”?

É o que iremos abordar agora PADAWAN.

Jogos e Educação

Atualmente meus noobs, as formas de ver a educação têm mudado com o tempo e, junto a esse novo olhar, a busca por novas formas de agir em sala de aula se tornou acelerada e crucial a uma educação de qualidade. É só verem como tenho trabalhado com vocês em sala de aula.

Muito se tem estudado e analisado atualmente sobre as mudanças no processo educacional. Os colegas professores de nossa escola bem sabem. E a busca por uma educação contextualizada e lúdica tem se tornado um tema recorrente nos fóruns, congressos e especializações (mas esse é outro assunto). Há uma mudança de consciência acontecendo e dentre as diferenças evidentes nos parâmetros referentes à aprendizagem, uma das principais é a recorrência ao lúdico, por parte dos professores.

Lúdico é um adjetivo masculino com origem no latim ludos que remete para jogos e divertimento. Uma atividade lúdica é uma atividade de entretenimento, que dá prazer e diverte as pessoas envolvidas. O conceito de atividades lúdicas está relacionado com o ludismo, ou seja, atividade relacionadas com jogos e com o ato de brincar.

A inclusão de jogos em contextos educacionais, ainda gera muita polêmica entre professores e em parte da sociedade, que os enxergam preconceituosamente ligando-os à jogos de azar. Porém, vistos como atividade lúdica, os jogos são bem aceitos em ambientes educacionais como recreação e para o desenvolvimento de habilidades, principalmente, psicomotoras.

Está claro para muitos professores, principalmente as novas gerações, a importância do ato de jogar e brincar, mas muitos não percebem resultados palpáveis deste ato na aprendizagem, e consequentemente, se perdem em realização de atividades que não transmitem o lúdico como deveriam. Porém a atividade lúdica obtida com a inserção bem colocada dos jogos de tabuleiro gera uma aprendizagem muito significativa de jovens, crianças e até mesmo adultos.

Vygotsky (como é bom citar novamente esse nome S2) afirma que ao brincar a criança reproduz regras, vivência princípios da realidade, e pelas interações requeridas pelo brinquedo internaliza o real, promovendo o desenvolvimento cognitivo.

Ainda, segundo Vygotsky,

É enorme a influência do brinquedo no desenvolvimento de uma criança. No brinquedo, o pensamento está separado dos objetos e a ação surge das ideias e não das coisas: um pedaço de madeira torna-se um boneco e um cabo de vassoura tornase um cavalo. O brinquedo é um fator muito importante nas transformações internas do desenvolvimento da criança.

VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. S. Paulo: Martins Fontes,
1991.

Os jogos, colegas professores e pais, estimulam o aluno, despertam sua curiosidade e criatividade, desenvolvem a capacidade de concentração e raciocínio, e proporcionam uma maneira de aprender mais prazerosa.

O jogo é social quando estimula os alunos (vocês meus pequenos gafanhotos) a se relacionarem entre si durante as partidas, bem como os incentiva á obedecerem às regras e limites do adversário, a cooperatividade. A área afetiva ocorre no respeito á vez do colega, durante a partida, bem como no “saber ganhar e no saber perder”, compreendendo que esta prática é inerente ao jogo, e que aquele que ganha, não é melhor do que aquele que perde. O lado cognitivo diz respeito às competências escolares desenvolvidas pelo estudante com as jogadas, como por exemplo: habilidades de raciocínio, estratégia, comunicação, administração, inteligência emocional, liderança, concentração, negociação, entre outras.

Desse modo, os conhecimentos e aprendizagens adquiridos por vocês alunos nos jogos, sempre poderão ser utilizadas em ações que vão além da prática pedagógica, preparando-os para situações e adversidades enfrentadas na vida cotidiana, como por exemplo, saber lidar com pessoas com opiniões distintas, bem como a habilidade interpessoal, imprescindível nas relações humanas.

Atualmente há um catálogo enorme de jogos que trazem consigo muitas dessas habilidades e que não são tão conhecidos pela maior parte da população e dos professores, conhecidos como JOGOS DE TABULEIRO MODERNOS. Um nicho que vem crescendo exponencialmente no Brasil.

É com esses jogos meus padawans, que trabalharemos (quando pudermos estar juntos novamente) em PROJETOS paralelos em nossa saudosa escola, e em dias específicos aprovados pela direção. Mas até lá, que tal conhecer alguns desses jogos aqui?

Assista a algum desses vídeos abaixo que apresentam um dos jogos em foto nessa postagem e diga o que achou. O jogo é lindo e representa bem a necessidade de conservação de nossas florestas.

Até a próxima pe-pessoal!!!

Império Colonial Português

Colonialismo de Portugal foi a causa da criação de um grande Império Português que permaneceu durante vários séculos. Somente no século XX que esse Império foi desmantelado.

Portugal foi o país europeu pioneiro em sua unificação como Estado Nacional. A consolidação do Estado Português aconteceu ainda no século XIII, quando os demais países europeus ainda se organizavam em pequenos ducados e altamente fragmentados. Essa unificação precoce de Portugal permitiu o avanço nas relações comerciais e impulsionou o interesse pela navegação em busca de novos mercados.

Foi somente no século XV, contudo, que Portugal se tornaria um império colonial. Costuma-se apontar como marco inicial do Império Português a conquista de Ceuta, ocorrida em 1415. A partir de então, Portugal seria o primeiro e o mais duradouro império colonial do mundo, com domínios em quatro continentes. Os frutos das grandes navegações foram colhidos por três dinastias portuguesas: os Avis, os Habsburgo e os Bragança. Além da República Portuguesa.

O impulso inicial para expansionismo português foi pautado pelo sentido militar e evangelizador, somente depois pelo interesse comercial. Todavia este ampliou sobremaneira o ritmo das conquistas e navegações. Nos séculos XIV e XV o que atraia especialmente o mercado europeu eram as especiarias provindas do Oriente, foi quando Portugal investiu em uma nova rota para adquiri-las com monopólio.

O caminho escolhido por Portugal para se chegar ao Oriente foi através do contorno do continente africano. Este trajeto jamais tinha sido feito por embarcações comerciais e era relativamente desconhecido, por esse motivo o contorno completo levou mais de um século para se completar. Entretanto, todo esse tempo rendeu muitas vantagens para Portugal. Devido à impossibilidade de se promover tal viagem de uma única vez, os portugueses foram conquistando vários pontos no litoral africano até perfazer o contorno completo do continente. Em cada ponto onde se estabeleciam durante as viagens eram criadas feitorias, das quais se extraiam produtos diversos ou escravos. Quando os portugueses chegaram ao Oriente, finalmente consolidaram uma rota que ficou chamada como Périplo Africano, a qual foi demorada, mas muito vantajosa para o Império Português. Os lucros de Portugal passaram a provir do continente Africano e especialmente das especiarias no Oriente.

Quando a Espanha se unificou como Estado Nacional em 1492 lançou-se ao mar buscando uma nova rota para o Oriente, através do Ocidente. Nesta viagem pioneira Cristóvão Colombo deparou-se com novas terras, atraindo a atenção de Portugal também. Documentos históricos mostram que ao longo do duradouro Périplo Africano os portugueses tomaram conhecimento sobre essas novas terras, mas não a conquistaram como de costume. Com a nova disputa com a Espanha, todavia, os dois países, Portugal e Espanha, negociaram a divisão das terras no mundo através do Tratado de Tordesilhas, o qual destinava as terras a leste de uma linha imaginária que passava a 370 léguas a oeste de Cabo Verde como de propriedade de Portugal e as terras a oeste dessa linha de posse da Espanha. Assim o mundo ficou dividido entre o Colonialismo de Portugal e o Colonialismo da Espanha.

Portugal demorou ainda a atentar para o Brasil e suas riquezas, os lucros obtidos no Oriente (Macau, Goa e outras colônias) eram mais interessantes. Foi especialmente o medo de perder as terras brasileiras que fez os portugueses se preocuparem com o Brasil.

O Brasil se tornou tão importante para Portugal que no século XIX, em meio a uma crise causada pela expansão do Império Napoleônico, a Corte Real Portuguesa foi toda transferida para o Brasil, assim como o centro do Império Português. Portugal tirou muito proveito do Sistema Colonial, o qual baseava-se na sustentação da economia das Metrópoles com a exploração de suas Colônias. Mas a partir do mesmo século XIX o Império Português começa a fragmentar.

Em 1822 o Brasil torna-se independente e no decorrer do século o Império Português teve que enfrentar o ataque de outros países europeus para tentar manter suas colônias na África e Ásia. O final do século XIX marca uma nova fase do Colonialismo que passa a ser chamada de Imperialismo. Ao longo século XX o Império Português chega ao fim com a perda das administrações em Macau e no Timor-Leste.

Texto de Antonio Gasparetto Junior

Fonte:
NEWITT, M. D. D., “A history of Portuguese overseas expansion, 1400-1668”, Routledge, 2005

RUSSEL-WOOD, A.J.P. “The Portuguese empire 1415-1808: a world on the move”, John Hopkins University Press, 1998

Texto originalmente publicado em https://www.infoescola.com/historia/colonialismo-de-portugal/

Mesopotâmia: o berço da civilização

As grandes civilizações e suas organizações

As primeiras civilizações se formaram a partir de quando o homem descobriu a agricultura e passou a ter uma vida mais sedentária, por volta de 4.000 a.C. Essas primeiras civilizações se formaram em torno ou em função de grandes rios: A Mesopotâmia estava ligada aos Rios Tigre e Eufrates, o Egito ao Nilo, a Índia ao Indo, a China ao Amarelo.

 A paisagem do Oriente Médio é formada, em grande parte, por deserto e montanhas, e desde a Antiguidade as condições para o cultivo de alimentos e a criação de animais são muito difíceis.
A Mesopotâmia, no entanto, tinha uma característica diferente: em certas épocas do ano, os rios Tigre e Eufrates enchiam e inundavam suas margens. Essas cheias fertilizavam o solo, tornando-o apropriado para o desenvolvimento da agricultura e da pecuária.

Foi no Oriente Médio que tiveram início as civilizações. Tempos depois foram se desenvolvendo no Oriente outras civilizações que, sem contar com o poder fertilizante dos grandes rios, ganharam características diversas. As pastoris, como a dos hebreus, ou as mercantis, como a dos fenícios. Cada um desses povos teve, além de uma rica história interna, longas e muitas vezes conflituosas relações com os demais.

A estreita faixa de terra que localiza-se entre os rios Tigre e Eufrates, no Oriente Médio, onde atualmente é o Iraque, foi chamada na Antiguidade, de Mesopotâmia, que significa “entre rios” (do grego, meso = no meio; potamos = rio). Essa região foi ocupada, entre 4.000 a.C. e 539 a.C, por uma série de povos, que se encontraram e se misturaram, empreenderam guerras e dominaram uns aos outros, formando o que denominamos povos mesopotâmicos. Sumérios, babilônios, hititas, assírios e caldeus são alguns desses povos.

Esta civilização é considerada uma das mais antigas da história.

Os sumérios (4000 a.C. – 1900 a.C.)

Foi nos pântanos da antiga Suméria que surgiram as primeiras cidades conhecidas na região da Mesopotâmia, como Ur, Uruk e Nipur.

Os povos da Suméria enfrentaram muitos obstáculos naturais. Um deles era as violentas e irregulares cheias dos rios Tigre e Eufrates. Para conter a força das águas e aproveita-las, construíram diques, barragens, reservatórios e também canais de irrigação, que conduziam as águas para as regiões secas.

Atribui-se aos Sumérios o desenvolvimento de um tipo de escrita, chamada cuneiforme, que inicialmente, foi criada para registrar transações comerciais.

A escrita cuneiforme – usada também pelos sírios, hebreus e persas – era uma escrita ideográfica, na qual o objeto representado expressava uma ideia, dificultando a representação de sentimento, ações ou ideias abstratas, com o tempo, os sinais pictóricos converteram-se em um sistema de sílabas. Os registros eram feitos em uma placa de argila mole. Utilizava-se para isso um estilete, que tinha uma das pontas em forma de cunha, daí o nome de escrita cuneiforme.

Bloco de argila contendo registros mesopotâmicos feitos na escrita cuneiforme.

Quem decifrou esta escrita foi Henry C. Rawlinson, através das inscrições da Rocha de Behistun. Na mesma época, outro tipo de escrita, a hieroglífica desenvolvia-se no Egito.

Na sociedade suméria havia escravidão, porém o número de escravos era pequeno. Grupos de nômades, vindos do deserto da Síria, conhecidos como Acadianos, dominaram as cidades-estados da Suméria por volta de 2300 a.C.

Os povos da Suméria destacaram-se também nos trabalhos em metal, na lapidação de pedras preciosas e na escultura. A construção característica desse povo é a zigurate, depois copiada pelos povos que se sucederam na região. Era uma torre em forma de pirâmide, composta de sucessivos terraços e encimada por um pequeno templo.

Zigurate de Ur.

Os Sumérios eram politeístas e faziam do culto aos deuses uma das principais atividades a desempenhar na vida. Quando interrompiam as orações deixavam estatuetas de pedra diante dos altares para rezarem em seu nome.

Dentro dos templos havia oficinas para artesãos, cujos produtos contribuíram para a prosperidade da Suméria.

Os sumérios merecem destaque também por terem sido os primeiros a construir veículos com rodas. As cidades sumérias eram autônomas, ou seja, cada qual possuía um governo independente. Apenas por volta de 2330 a.C., essas cidades foram unificadas.

O processo de unificação ocorreu sob comando do rei Sargão I, da cidade de Acad. Surgia assim o primeiro império da região.

O império construído pelos acades não durou muito tempo. Pouco mais de cem anos depois, foi destruído por povos inimigos.

Os babilônios (1900 a. C – 1600 a.C.)

Os babilônios estabeleceram-se ao norte da região ocupada pelos sumérios e, aos poucos, foram conquistando diversas cidades da região mesopotâmica. Nesse processo, destacou-se o rei Hamurabi, que, por volta de 1750 a.C., havia conquistado toda a Mesopotâmia, formando um império com capital na cidade de Babilônia.

Hamurabi impôs a todos os povos dominados uma mesma administração. Ficou famosa a sua legislação, baseada no princípio de talião (olho por olho, dente por dente, braço por braço, etc.) O Código de Hamurabi, como ficou conhecido, é um dos mais antigos conjuntos de leis escritas da história. Hamurabi desenvolveu esse conjunto de leis para poder organizar e controlar a sociedade. De acordo com o Código, todo criminoso deveria ser punido de uma forma proporcional ao delito cometido.

Os babilônios também desenvolveram um rico e preciso calendário, cujo objetivo principal era conhecer mais sobre as cheias do rio Eufrates e também obter melhores condições para o desenvolvimento da agricultura. Excelentes observadores dos astros e com grande conhecimento de astronomia, desenvolveram um preciso relógio de sol.

Além de Hamurabi, um outro imperador que se tornou conhecido por sua administração foi Nabucodonosor, responsável pela construção dos Jardins suspensos da Babilônia, que fez para satisfazer sua esposa, e a Torre de Babel. Sob seu comando, os babilônios chegaram a conquistar o povo hebreu e a cidade de Jerusalém.

Após a morte de Hamurabi, o império Babilônico foi invadido e ocupado por povos vindos do norte e do leste.

Representação dos Jardins Suspensos da Babilônia.
Representação da Torre de Babel.

Os hititas (1600 a. C – 1200 a.C.)

Os Hititas foram um povo indo-europeu, que no 2º milênio a.C. fundaram um poderoso império na Anatólia Central (atual Turquia), região próxima da Mesopotâmia. A partir daí, estenderam seus domínios até a Síria e chegaram a conquistar a Babilônia.

Provavelmente, a localização de sua capital, Hatusa, no centro da Ásia Menor, contribuiu para o controle das fronteiras do Império Hitita.

Essa sociedade legou-nos os mais antigos textos escritos em língua indo-europeia. Essa língua deu origem à maior parte dos idiomas falados na Europa. Os textos tratavam de história, política, legislação literatura e religião e foram gravados em sinais cuneiformes sobre tábuas de argila.

Os Hititas utilizavam o ferro e o cavalo, o que era uma novidade na região. O cavalo deu maior velocidade aos carros de guerra, construídos não mais com rodas cheias, como as dos sumérios, mas rodas com raios, mais leves e de fácil manejo.

O exército era comandado por um rei, que também tinha as funções de juiz supremo e sacerdote. Na sociedade hitita, as rainhas dispunham de relativo poder.

No aspecto cultural podemos destacar a escrita hitita, baseada em representações pictográficas (desenhos). Além desta escrita hieroglífica, os hititas também possuíam um tipo de escrita cuneiforme.

Assim como vários povos da antiguidade, os hititas seguiam o politeísmo (acreditavam em várias divindades). Os deuses hititas estavam relacionados aos diversos aspectos da natureza (vento, água, chuva, terra, etc). 

Em torno de 1200 a.C., os hititas foram dominados pelos assírios, que, contando com exércitos permanentes, tinham grande poderio militar. A queda deste império dá-se por volta do século 12 a.C.

Os assírios (1200 a. C – 612 a.C.)

Os assírios habitavam a região ao norte da babilônia e por volta de 729 a.C. já haviam conquistado toda a Mesopotâmia. Sua capital, nos anos mais prósperos, foi Nínive, numa região que hoje pertence ao Iraque.

Este povo destacou-se pela organização e desenvolvimento de uma cultura militar. Encaravam a guerra como uma das principais formas de conquistar poder e desenvolver a sociedade. Eram extremamente cruéis com os povos inimigos que conquistavam, impunham aos vencidos, castigos e crueldades como uma forma de manter respeito e espalhar o medo entre os outros povos. Com estas atitudes, tiveram que enfrentar uma série de revoltas populares nas regiões que conquistavam.

Empreenderam a conquista da Babilônia, e a partir daí começaram a alargar as fronteiras do seu Império até atingirem o Egito, no norte da África. O Império Assírio conheceu seu período de maior glória e prosperidade durante o reinado de Assurbanipal.

Assurbanipal foi o último grande rei dos assírios. Durante o seu reinado (668 – 627 a.C.), a Assíria se tornou a primeira potência mundial. Seu império incluía a Babilônia, a Pérsia, a Síria e o Egito.

Ainda no reinado de Assurbanipal, os babilônios se libertaram (em 626 a.C.) e capturaram Ninive. Com a morte de Assurbanipal, a decadência do Império Assírio se acentuou, e o poderio da Assíria desmoronou. Uma década mais tarde o império caía em mãos de babilônios e persas.

O estranho paradoxo da cultura assíria foi o crescimento da ciência e da matemática. Este fato pode em parte explicado pela obsessão assíria com a guerra e invasões. Entre as grandes invenções matemáticas dos assírios está a divisão do círculo em 360 graus, tendo sido eles dentre os primeiros a inventar latitude e longitude para navegação geográfica. Eles também desenvolveram uma sofisticada ciência médica, que muito influenciou outras regiões, tão distantes como a Grécia. 

Os caldeus (612 a. C – 539 a.C.)

A Caldeia era uma região no sul da Mesopotâmia, principalmente na margem oriental do rio Eufrates, mas muitas vezes o termo é usado para se referir a toda a planície mesopotâmica. A região da Caldeia é uma vasta planície formada por depósitos do Eufrates e do Tigre, estendendo-se a cerca de 250 quilômetros ao longo do curso de ambos os rios, e cerca de 60 quilômetros em largura.

Os Caldeus foram uma tribo (acredita-se que tenham emigrado da Arábia) que viveu no litoral do Golfo Pérsico e se tornou parte do Império da Babilônia. Esse império ficou conhecido como Neobabilônico ou Segundo Império Babilôncio. Seu mais importante soberano foi Nabucodonosor.

Em 587 a.C., Nabucodonosor conquistou Jerusalém. Além de estender seus domínios, foram feitos muitos escravos entre os habitantes de Jesuralém. Seguiu-se então um período de prosperidade material, quando foram construídos grandes edifícios com tijolos coloridos.

Em 539 a.C., Ciro, rei dos persas, apoderou-se de Babilônia e transformou-a em mais uma província de seu gigantesco império.

O direito

O Código de Hamurabi, até pouco tempo o primeiro código de leis que se tinha notícia, não é original. É uma compilação de leis sumerianas mescladas com tradições semitas. Ele apresenta uma diversidade de procedimentos jurídicos e determinação de penas para uma vasta gama de crimes.

Imagem: Reprodução.

Contém 282 leis, abrangendo praticamente todos os aspectos da vida babilônica, passando pelo comércio, propriedade, herança, direitos da mulher, família, adultério, falsas acusações e escravidão. Suas principais características são: Pena ou Lei de Talião, isto é, “olho por olho, dente por dente” (o castigo do criminoso deveria ser exatamente proporcional ao crime por ele cometido), desigualdade perante a lei (as punições variavam de acordo com a posição social da vitima e do infrator), divisão da sociedade em classes (os homens livres, os escravos e um grupo intermediário pouco conhecido – os mushkhinum) e igualdade de filiação na distribuição da herança.

O Código de Hamurabi reflete a preocupação em disciplinar a vida econômica (controle dos preços, organização dos artesãos, etc.) e garantir o regime de propriedade privada da terra. Os textos jurídicos mesopotâmicos invocavam os deuses da justiça, os mesmos da adivinhação, que decretavam as leis e presidiam os julgamentos.

Texto Compilado do site Só História e Info Escola (Tiago Ferreira da Silva)

“Mesopotâmia: o berço da civilização” em Só História. Virtuous Tecnologia da Informação, 2009-2020. Consultado em 13/04/2020 às 12:08. Disponível na Internet em http://www.sohistoria.com.br/ef2/mesopotamia/

https://www.infoescola.com/historia/mesopotamia/

Primeiros Povos da América

Os primeiros povos da América são chamados de pré-colombianos, pois são situados no período anterior à chegada de Cristóvão Colombo, em 1492.

Dessa maneira, o termo inclui os povos que estavam no continente americano antes da esquadra de Colombo e aqueles que já haviam sido extintos.

Estreito de Bering

O continente americano já era ocupado por diversos povos há cerca de 10 mil anos, como demonstram evidências arqueológicas.

A teoria mais aceita entre os cientistas é a de que a povoação do continente ocorreu pela travessia do Estreito de Bering. Através da perseguição de animais, os caçadores acabaram por se estabelecerem ali.

Entretanto, há provas que apontam a existência de seres humanos nessa parte do globo, mesmo antes das incursões pelo Estreito de Bering por rotas alternativas ou pela navegação.

A existência da maioria das civilizações na América é assentada em indicações arqueológicas e registros que não foram destruídos pelos conquistadores.

Embora tenham sido influenciados pela colonização europeia, há povos que ainda hoje mantêm e repassam tradições culturais de seus antepassados.

Características

Os primeiros povos da América eram nômades, caçadores e coletores. Segundo os estudos arqueológicos, tinham diversas características físicas, exibindo traços semelhantes aos dos povos da África, Austrália e de povos mongóis.

Essa teoria é apoiada por pesquisas genéticas, que apontam a semelhança entre o DNA dos índios americanos e dos povos citados.

Na caça praticada por esses povos, estavam incluídos animais como mastodontes, preguiça-gigante, tigre dente de sabre e o tatu gigante.

Os equinos desse período também foram extintos, mas os cavalos seriam reintroduzidos após a chegada dos europeus.

O extrativismo, contudo, não era a única maneira de subsistência dos povos. Há 7 mil anos, as nações americanas já dominavam a agricultura e plantavam abóbora, batata, milho, feijão e mandioca. Também domesticaram pequenos animais.

O Continente Americano estava inteiramente povoado na época da chegada de Cristóvão Colombo. Além de coletores, divididos em vários povos e espalhados por todo o continente, havia civilizações organizadas em imponentes impérios, como é o caso dos Maias, dos Astecas e dos Incas.

Essas civilizações não eram melhores nem piores que os europeus em muitos aspectos, mas tinham ritos e sacrifícios extremamente chocantes para os europeus.

Do mesmo modo, havia costumes da Europa que pareciam estranhos aos nativos. O problema foi a força desproporcional que foi usada pelos europeus e que fez desaparecer povos inteiros na América.

América Central

Na região que compreende a América Central – do México até a Costa Rica – vivia um conjunto de sociedades estratificadas, com um complexo sistema de exploração agrário e que compartilhavam crenças, tecnologia, a arte e a arquitetura.

As estimativas arqueológicas apontam que o desenvolvimento da complexidade dessas culturas tenha começado entre 1800 a.C. e 300 a.C.

Sua tecnologia permitiu a construção de templos e realização de pesquisas nas áreas de astronomia, medicina, escrita, artes plásticas, engenharia, arquitetura e matemática.

As cidades eram importantes centros de comércio na região hoje ocupada pelo México. Essas civilizações foram praticamente extintas pelos povos colonizadores e o que sobrou foram evidências históricas de sua organização e modo de vida.

Astecas

Os astecas viveram na região que hoje corresponde ao México. Tinham uma organização rígida, extremamente estratificada, com um imperador que era considerado uma semi-dividade e um chefe do exército.

Formavam um povo guerreiro, que viveu seu apogeu entre os séculos XV e XVI. No entanto, não se descuidaram da agricultura. Deste modo, desenvolveram o cultivo de através de plataformas a fim de aproveitar o máximo o espaço e terras agricultáveis.

O império asteca era formado por quase 500 cidades num delicado equilíbrio de alianças e rivalidades. O navegador Hernán Cortez aproveitou-se desta situação para conquistá-los.

Maias

Pirâmide de Chichén-Itzá onde os maias realizavam sacrifícios aos seus deuses. Observem as esculturas em volta do complexo

Os maias viviam na região que hoje corresponde à Guatemala, Honduras, Belize, El Salvador e Península de Yucatán. Formavam um conglomerado de cidades-estados que estava em constantes guerras entre si.

Quando os colonizadores chegaram, havia pelo menos seis milhões de maias na região que foram dizimados.

Eram hábeis escultores e fizeram verdadeiras obras de artes em materiais duros como o jade. Avançaram os cálculos matemáticos e conseguiram precisar, com exatidão, os 365 dias do ano que utilizavam no seu calendário.

Igualmente, levantaram grandes pirâmides, muitas das quais podem ser visitadas até hoje.

Era um povo politeísta e ofereciam sacrifícios humanos e de animais aos deuses. Assim como a religiosidade medieval estimulava práticas de jejum e autoflagelação, os maias também incluíam o auto-sacrifício e ofereciam seu próprio sangue aos deuses.

América do Sul

América do Sul estava povoada por várias tribos que se organizavam de maneira distinta. Temos a civilização inca que se estendeu seguindo a cordilheira dos Andes, bem como os mapuches no sul do Chile e da Argentina.

Igualmente, o futuro território brasileiro estava ocupado com dezenas de povos como os tupis, os tamoios, aimorés, tupiniquins, guaranis e muitos outros que foram perdendo seu espaço à medida que avançava a colonização portuguesa.

Incas

Os incas habitaram o Equador, o sul da Colômbia, o Peru e a Bolívia. Ao menos 700 idiomas eram falados no Império Inca que, como os demais, foi conquistado e destruído pelos espanhóis.

Os incas, embora não dominassem a escrita, criaram um sistema próprio de contagem, o quipo, e aplicavam um sistema de cobrança de impostos. Além de um método de cálculo que utilizava um instrumento semelhante ao ábaco.

Consideravam-se filhos do sol, eram politeístas e tinham o seu chefe Inca adorado como um deus. As famílias deveriam entregar ao menos uma filha para servir ao inca por certo período de tempo.

Povos Indígenas no Brasil

Mamelucos conduzindo prisioneiros índios, obra de Jean-Baptiste Debret

A região que hoje é ocupada pelo Brasil era habitada por cerca de 4 milhões de índios quando a esquadra de Pedro Álvares Cabral aportou. A maioria era constituída por coletores e caçadores.

Hoje, mesmo após a destruição da cultura e redução do território, há 240 povos indígenas no Brasil e falam até 150 dialetos. As principais causas da redução da população foram a pressão colonizadora e as doenças trazidas pelos portugueses.

Os remanescentes de povos indígenas brasileiros ainda vivem em constante disputa por território e são alvo de doenças e vivem, a maioria, em extrema pobreza.

Entre esses povos está o Guarani-caiuá, que vive na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai. O assassinato de líderes indígenas e a ocupação de terras são constantemente divulgados pela mídia.

América do Norte

Aspecto do interior de uma tenda da tribo Apache

Os primeiros assentamentos humanos da América estão registrados no atual Alasca (EUA). Ali, o povo inuit ocupou áreas do Canadá e Groenlândia.

À chegada dos europeus, os povos nativos da América do Norte eram tribos de comportamento seminômades, além de caçadores-coletores; e outros eram povos sedentários que viviam da atividade agrícola.

Entre eles estão incluídos os Apache, os Shawee, os Navajos, os Creek, os Cherokee, os Sioux e muitos outros.

Sua religiosidade era politeísta com o culto especial ao espírito dos antepassados e animais. No entanto, em algumas tribos se registra o culto teísta onde havia uma entidade maior que as outras.

De todas as formas, os indígenas americanos tinham uma cosmovisão peculiar onde os humanos, a mãe terra e o pai céu são apenas um.

Com a Marcha para o Oeste, os indígenas foram expulsos sistematicamente da suas terras. Morriam nos campos de batalha, de doenças e também de fome, pois com a ocupação da terra os animais foram se extinguindo.

A indústria cinematográfica americana transformou a colonização em direção ao Pacífico como um evento espetacular, onde os indígenas eram tratados de forma estereotipada e violenta.

Entre os últimos acontecimentos está o massacre dos Sioux, em 1890, quando a cavalaria dos EUA executou 150 indígenas, entre homens, mulheres e crianças. Os corpos foram jogados em uma cova coletiva.

O Mercantilismo

O que foi o mercantilismo?

mercantilismo foi o conjunto de práticas econômicas adotado pelas nações europeias entre o século XV e o século XVIII. Essas práticas econômicas são consideradas pelos historiadores como o estágio de transição do modo de produção feudal para o modo de produção capitalista. Nesse sentido, é incorreto afirmar que o mercantilismo foi um sistema econômico, uma vez que não consistiu em um modo de produção, como o feudalismo e o capitalismo.

Foi adotado pelas nações europeias durante o período das Grandes Navegações e da montagem do sistema colonial no continente americano. Por conta disso, muitas das práticas mercantilistas foram aplicadas pelos portugueses durante o período de colonização do Brasil. É importante considerar que o mercantilismo adotou características distintas de acordo com a realidade e a necessidade de cada país europeu.

Como surgiu o mercantilismo?

O surgimento do mercantilismo, enquanto conjunto de práticas econômicas, está diretamente ligado ao fim do feudalismo e à formação dos Estados Nacionais Modernos. Por Estado Nacional Moderno, entende-se o conjunto de nações surgidas durante o processo de centralização do poder na figura do rei.

Alguns exemplos clássicos de Estados Nacionais Modernos foram Inglaterra, França, Espanha e Portugal, que surgiram com o poder centralizado na figura do rei. Junto do rei, surgiu todo um aparato burocrático responsável pela administração, em questões políticas, sociais, econômicas, da nação. O surgimento dos Estados Modernos apoiou-se diretamente no poder da burguesia na luta para pôr fim aos privilégios de parte da nobreza feudal.

O apoio à burguesia permitiu que essa classe investisse no desenvolvimento comercial e manufatureiro. Esse processo de desenvolvimento do comércio e da manufatura (embrião da indústria) apoiou-se também na intensa exploração colonial que aconteceu no continente americano. Por fim, o Estado Moderno que surgiu nesse período com o poder centralizado no rei assumiu o controle de questões relativas à economia como forma de garantir seus interesses e resolver entraves que impediam o fortalecimento do poder real.

Foi nesse contexto de forte intervenção do Estado na economia, de expansão do comércio mediante a exploração colonial e de crescimento das manufaturas que se consolidou uma série de práticas econômicas que recebeu o nome de mercantilismo. Como essas práticas econômicas são consideradas embrionárias ao capitalismo, alguns historiadores chamam o mercantilismo de capitalismo comercial.

Características

O mercantilismo foi um conjunto de práticas aplicado pelas nações europeias de diferentes maneiras. Essa variação nas formas de se praticar o mercantilismo ocorreu de acordo com os interesses e com a realidade de cada país. De toda forma, as principais características que definiram o mercantilismo foram:

  • Controle estatal da economia – os reis com o apoio da burguesia mercantil foram assumindo o controle da economia nacional, visando fortalecer ainda mais o poder central e obter os recursos necessários para expandir o comércio. Dessa forma o controle estatal da economia tornou-se a base do mercantilismo;
  • Metalismo: também conhecido como bulionismo, esse princípio consistia em defender a acumulação de metais preciosos como principal forma de obtenção de riquezas. Esse conceito foi utilizado principalmente na Espanha, durante o reinado dos reis católicos Fernando de Aragão e Isabel de Castela. Essa prática coincidiu exatamente com o período em que os espanhóis traziam enorme quantidade de metais preciosos de suas colônias da América.
  • Balança comercial favorável: essa teoria defendia que a soma das transições comerciais de um Estado deveria ser positiva, ou seja, o volume de mercadorias vendidas deveria ser superior ao volume de mercadorias compradas.
  • Monopólio – controladores da economia, os governos interessados numa rápida acumulação de capital, estabeleceram monopólio sobre as atividades mercantis e manufatureiras, tanto na metrópole como nas colônias. Donos do monopólio, o Estado o transferia para a burguesia metropolitana por pagamento em dinheiro. A burguesia favorecida pela concessão exclusiva comprava pelo preço mais baixo o que os colonos produziam e vendiam pelo preço mais alto tudo o que os colonos necessitavam. Dessa forma, a economia colonial funcionava como um complemento da economia da metrópole;
  • Protecionismo – era realizado através de barreiras alfandegárias, com o aumento das tarifas, que elevava os preços dos produtos importados, e também através da proibição de se exportar matérias-primas que favorecessem o crescimento industrial do país concorrente;
  • Outros pontos importantes a serem considerados sobre o mercantilismo: incentivo ao desenvolvimento manufatureiro, incentivo à construção de embarcações (base para a expansão comercial na época), protecionismo alfandegário (imposição de impostos sobre mercadorias estrangeiras).

Tipos de Mercantilismos

A Espanha adotou o mercantilismo metalista e enriqueceu com o ouro e a prata, explorados no continente americano, mas como não desenvolveu o comércio, a agricultura e a indústria, passou a importar produtos pagos com ouro e prata.

Como as importações superavam as exportações (déficit), a economia espanhola no século XVII, entrou numa crise que durou um longo período.

Na França o mercantilismo estava voltado para o desenvolvimento de manufaturas de luxo para atender ao mercado espanhol e procurou expandir suas companhias de comércio, bem como a construção naval.

Essa política econômica ficou conhecida como mercantilismo industrial ou colbertismo, referência ao ministro Colbert, quem mais a incentivou.

Portugal foi o país que demonstrou maior flexibilidade na aplicação do mercantilismo. No século XVI, com a descoberta do caminho marítimo para as Índias, pois em prática o mercantilismo comercial, comprando e revendendo mercadorias do Oriente.

Com a exploração das terras americanas, se tornou o pioneiro do mercantilismo de plantagem, baseado na produção destinada ao mercado internacional.

No século XVIII, com o ouro de Minas Gerais, praticou o mercantilismo metalista. Com a crise do ouro, surgiu o mercantilismo industrial, com a produção de artigos destinados ao abastecimento do mercado colonial.

Textos compilados de Juliana Bezerra (Professora de História) e Daniel Neves (Graduado em História)

SILVA, Daniel Neves. “O que é mercantilismo?”; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/historia/o-que-e-mercantilismo.htm.

Bezerra, Juliana. “Mercantilismo”; Toda Matéria. Disponível em: https://https://www.todamateria.com.br/mercantilismo/

Primeira República

Também foi denominada pelos historiadores de República Oligárquica, República dos Coronéis e República do Café com Leite.

Com a vitória da Revolução de 30 e a fim de reforçar a ideia que começava um novo tempo, passou a ser chamada pejorativamente de República Velha.

Primeira República: resumo

O primeiro presidente da dita Primeira República foi Marechal Deodoro da Fonseca e o último, Washington Luís.

Em 1891, Deodoro da Fonseca renuncia e, em seu lugar, assume seu vice-presidente, Floriano Peixoto. Por sua parte, o primeiro presidente civil foi Prudente de Morais, eleito em 1894.

Para fins de estudo, a Primeira República é dividida em dois períodos:

1. República da Espada (1889-1894): governos dos militares de Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto:

2. República Oligárquica (1895-1930): governos das oligarquias rurais de São Paulo e Minas Gerais. É o chamado coronelismo, praticado, principalmente, pelos cafeicultores, aliados aos produtores rurais de outros estados.

Durante este período, o país esteve regido pela Constituição promulgada em 1891. A Carta Magna estabelecia o regime presidencialista, o voto aos maiores de 21 anos, liberdade de culto, obrigatoriedade do casamento civil, entre outras medidas.

República da Espada

Iniciada com o governo de Marechal Deodoro da Fonseca, a República da Espada foi um período curto, mas fundamental. Medidas emergenciais marcaram esse governo militar provisório. Entre as principais medidas estão a laicização do estado, a naturalização de estrangeiros e a criação de símbolos nacionais-republicanos.

A polêmica, no entanto, marcou o governo de Deodoro. Apesar da instauração de medidas populistas, ele acaba impulsionando uma imensa crise econômica. A bolha estourou. A impressão de papel moeda disparou. A este momento é dado o nome de Política do Encilhamento.

Depois de uma pressão da Marinha (Revolta da Armada – 1891) para a renúncia de Marechal Deodoro, em novembro ele resigna. Assume, então, Marechal Floriano Peixoto, seu vice, com o intuito de contenção da crise financeira instaurada. Entretanto, segundo a constituição em vigor, o governo de Floriano era considerado ilegítimo.

O vice só poderia permanecer no governo até a convocação de eleições de voto popular. Isso, porém, não impediu o Marechal de Ferro permanecer no governo até o fim de seu mandato. Ao fim do governo Floriano, o período da República da Espada tem seu término declarado. Em seguida, é iniciada a chamada República Oligárquica.

República Oligárquica

O período é marcado pela eleição do primeiro presidente civil do país, o paulista Prudente de Morais. Dá-se início, então, a chamada República do Café com Leite. Este batismo refere-se a uma nominação com a divisão de duas oligarquias que alternavam o poder: SP e MG.

A principal característica do período foi a sucessão de governo previamente programada. Comandada pelas elites agrárias de paulistas e mineiros, graças a um esquema de fraude, ambos alternavam quase sempre o poder.  O coronelismo marcou esse período importante na história brasileira.

Foi por causa desta característica coronelista que explodiu um movimento social rural importante: a Guerra dos Canudos. Além disso, uma revolta urbana também marcou o período, conhecida como a Revolta da Vacina. Ademais, outras revoltas rurais e urbanas evidenciaram o período, como a Guerra do Contestado e Greve Geral de 1917, respectivamente.

A indignação militar também era sobressalente e presente. A Revolta da Chibata e o Movimento Tenentista marcaram como exemplos da insatisfação dos militares com o governo em vigência.

Características da Primeira República

A Primeira República se caracteriza por um período conturbado da História do Brasil.

O novo regime não consegue satisfazer os sonhos dos mais humildes e guerras como a Guerra de Canudos (1893-1897) e Contestado (1912-1916) são travadas deixando milhares de mortos.

Também foram registrados conflitos nas grandes cidades como a Revolta da Vacina (1904) ou a Revolta da Chibata (1910).

A elite política e econômica garantia sua permanência no poder através de eleições fraudulentas e troca de favores. A economia, dependente do café, tentava se diversificar com uma incipiente industrialização.

Política dos Governadores

O equilíbrio de poder entre os estados de São Paulo e Minas Gerais na Primeira República

A política dos governadores era o sistema de alianças baseado na troca de favores políticos.

Deste modo, os governadores apoiavam a eleição de um Congresso Nacional favorável ao presidente. Em troca, recebiam mais recursos e garantiam nomeações em cargos políticos os aliados.

Outro nome dado a este sistema político era “política do café com leite”. Esse nome fazia referência à alternância de poder de presidentes oriundos de Minas Gerais e São Paulo ou que eram apoiados por esses estados.

Os dois estados eram dominados pelo PRM (Partido Republicano Mineiro) e PRP (Partido Republicano Paulista).

Apesar de ser um mito difundido, a maior riqueza de Minas Gerais era o café e não o leite. Já São Paulo era o estado líder deste produto.

Sistema Eleitoral na Primeira República

Charge de Storni para a revista Coreto de 19 de fevereiro de 1927, fazendo referência ao voto de cabresto

No início da primeira república foi instituído o voto aberto para maiores de 21 anos aos cidadãos que sabiam ler e escrever. No entanto, soldados e religiosos estavam excluídos do processo eleitoral.

Já as mulheres viviam uma situação ambígua, pois a Constituição brasileira especificava que somente os homens podiam votar, mas não proibia explicitamente o voto feminino. Esta brecha foi aproveitada para que algumas mulheres solicitassem seu direito ao voto.

No entanto, a maioria da população era analfabeta e dos 12 milhões de habitantes, somente 10% conseguia participar do processo eleitoral.

As eleições eram marcadas por fraudes e os coronéis indicavam em quem o eleitor pobre deveria votar, o chamado voto de cabresto.

O resultado das eleições estava a cargo da Comissão Verificadora. Essa comissão era favorável ao presidente e, não raro, distorcia resultados aprovando nomes de deputados e senadores aliados.

Economia na Primeira República

A economia deste período era predominantemente rural, com ênfase na produção de café, que correspondia a mais de 50% das exportações brasileiras durante toda a Primeira República.

Também fazia parte a produção de açúcar, algodão, borracha e cacau.

O estado que concentrava a maior produção de café, neste momento, era São Paulo. A região tornou-se um polo de atração tanto para brasileiros como para imigrantes.

Industrialização

Nesta época, vemos o crescimento da indústria, com destaque para a cidade de São Paulo que concentrava 31% das fábricas do Brasil.

Paralelo ao crescimento do operariado. há o início dos movimentos operários reivindicando melhores condições de trabalho e garantia de direitos trabalhistas.

Muitas dessas organizações eram comandadas por imigrantes que trouxeram novas ideias que estavam em voga na Europa como o anarquismo.

Com a eclosão da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e a dificuldade de importar produtos industrializados, a indústria no Brasil ganhará mais relevância.

Convênio de Taubaté

Charge ironizando os signatários do Convênio de Taubaté que retiram o dinheiro público para beneficiar os cafeeiros

Como vimos, a situação da política brasileira era pautada pela economia cafeeira e os arranjos que os governadores conseguiam para obter favores do governo federal.

A produção brasileira correspondia a dois terços do mercado internacional. Antes cuidado por negros escravizados, os cafezais possuíam agora mão de obra estrangeira assalariada.

Para obter mais lucro, os fazendeiros aumentaram a produção e isso acarretou em excesso de café, e o preço caiu drasticamente, diminuindo os ganhos.

Assim, os produtores de café se reuniram na cidade paulista de Taubaté, em 1906, com a finalidade de solucionar a crise. Este encontro passou à história como o Convênio de Taubaté.

Nesta reunião ficou decidido que o governo seria o responsável por estocar o excedente para vender quando os preços do café melhorassem.

Dessa maneira, os fazendeiros não teriam prejuízo e não quebrariam. Para comprar o café produzido em excesso, o governo fez empréstimos no exterior.

A superprodução continuou e o governo estocou café sem conseguir encontrar oportunidade para vendê-lo. A situação se agravou quando começou a Crise de 1929 e o volume de comércio em todo mundo diminuiu.

Movimentos Sociais na Primeira República

Aspecto da primeira greve geral do Brasil, iniciada em São Paulo. Observe as bandeiras negras anarquistas carregadas pelos manifestantes.

O período da Primeira República é marcado pela continuidade da industrialização no Brasil. Foram instaladas as primeiras fábricas têxteis ou de materiais de construção, especialmente em São Paulo e no Rio de Janeiro.

O Brasil contava com 600 fábricas e empregava 54 mil operários em 1889. Em 1922, já eram 13 mil fábricas onde trabalhavam 275 mil pessoas.

A expansão industrial resultou na formação do operariado, mas não havia garantia de direitos trabalhistas. Por isso, os donos das fábricas impunham pesadas cargas de trabalho, com até 15 horas de produção diária.

Não havia direito à férias, os salários eram baixíssimos e as instalações insalubres. Também não era rara a violência física, principalmente contra as crianças.

Começa, então, a mobilização operária com a criação das Caixas de Socorro Mútuo e também de comitês operários. Estes visavam a melhoria das condições de trabalho, evitar a exploração dos trabalhadores menores de idade e lutar contra a carestia de vida.

Esse movimento é o precursor da atividade sindicalista brasileira. Ainda em 1917, começa em São Paulo a primeira greve que repercutirá em todo o Brasil e dará origem às primeiras leis trabalhistas.

Juliana Bezerra (Professora de História)

8 de Março: Dia Internacional das Mulheres.

LUTAS, CONQUISTAS E PERDAS HISTÓRICAS

O dia 8 de março ao ser cooptado pelo comércio transformou-o numa data mística em que as mulheres são colocadas como objeto a receber presentes simplesmente por ser mulher esquecendo que sua transcendência no mundo se deve a fotos históricos marcados por lutas, resistências e participação efetiva na sociedade como um todo e não apenas no mundo privado. Desmistificar o dia 8 de março é uma necessidades histórica, assim como o “ser homem e o ser mulher”, que são construções históricas e como tal sofre transformação em sua concepção para atender aos propósitos de um período histórico ou classe social, deixando como conseqüência muita violência e transtornos sociais.

Essa data é vista como um símbolo para a emancipação dos benefícios da mulher perante a sociedade. No Brasil, por exemplo, ainda luta-se por salários iguais entre homens e mulheres que ocupam as mesmas posições.

Na presente postagem, vários textos sobre essa longa e continua história estarão em anexo para trabalhos em sala de aula e principalmente para conhecimento e desmistificação da luta feminina pela igualdade política, econômica e social.

Women’s Strike for Peace-And Equality, Women’s Strike for Equality, Fifth Avenue, New York, New York, August 26, 1970. (Photo by Eugene Gordon/The New York Historical Society/Getty Images)

Estejam cientes que os textos são fatos históricos, frutos de pesquisas sérias, com os objetivos de desvelar e explicitar as discriminações e preconceitos associados ao gênero, desenvolver o respeito pela diferença, identificar elementos teóricos que comprovam que as relações de gênero são históricas e socialmente construídas, questionar alguns mitos associados ao gênero na escola, questionar a rigidez e fixidez dos padrões de conduta estabelecidos para homens e mulheres, buscar uma maior equidade nas relações de gênero, reconhecer a igualdade de direitos, oportunidades e acesso a bens entre homens e mulheres e combater os estereótipos associados aos tipos de comportamento tido como masculino e feminino.

Formação da Humanidade

Você já deve ter tido a curiosidade de saber como surgiu a espécie humana no planeta em que vivemos, não é mesmo? Essa curiosidade não é só sua. Muitos pesquisadores e cientistas têm estudado para descobrir como se deu a origem do ser humano na Terra.

Quanto mais a ciência se desenvolve, mais avançados são os recursos científicos que esses pesquisadores podem utilizar. Eles são capazes de encontrar novas possibilidades para explicar a origem humana. Assim, como um quebra-cabeça, cada nova descoberta vai completando o nosso conhecimento sobre o tema.

Entre as diversas explicações para o aparecimento do ser humano na Terra, duas se destacam pelo amplo debate que provocaram: o criacionismo, defendido por judeus e cristãos, e a teoria da evolução

A criação

Durante muito tempo, os sábios idealistas sustentaram a teoria do limite intransponível entre o homem e os animais. Essa concepção se baseava no mito bíblico da criação do homem por Deus, que o teria feito “à sua imagem e semelhança”.

A questão sobre as origens do homem remete um amplo debate, no qual filosofia, religião e ciência entram em cena para construir diferentes concepções sobre a existência da vida humana e, implicitamente, por que somos o único espécime dotado de características que nos diferenciam do restante dos animais.

Desde as primeiras manifestações mítico-religiosas, o homem busca resposta para essa questão. Neste âmbito, a teoria criacionista é a que tem maior aceitação. Ao mesmo tempo, ao contrário do que muitos pensam, as diferentes religiões do mundo elaboraram uma versão própria da teoria criacionista.

A mitologia grega atribui a origem do homem ao feito dos titãs Epimeteu e Prometeu. Epimeteu teria criado os homens sem vida, imperfeitos e feitos a partir de um molde de barro. Por compaixão, seu irmão Prometeu resolveu roubar o fogo do deus Vulcano para dar vida à raça humana. Já a mitologia chinesa, atribui a criação da raça humana à solidão da deusa Nu Wa, que ao perceber sua sombra sob as ondas de um rio, resolveu criar seres à sua semelhança.


O cristianismo adota a Bíblia como fonte explicativa sobre a criação do homem. Segundo a narrativa bíblica, o homem foi concebido depois que Deus criou céus e terra. Também feito a partir do barro, o homem teria ganhado vida quando Deus assoprou o fôlego da vida em suas narinas. Outras religiões contemporâneas e antigas formulam outras explicações, sendo que algumas chegam a ter pontos de explicação bastante semelhantes.

Evolução humana

Em oposição ao criacionismo, a teoria evolucionista parte do princípio de que o homem é o resultado de um lento processo de alterações (mudanças). Esta é a ideia central da evolução: os seres vivos (vegetais e animais, incluindo os seres humanos) se originaram de seres mais simples, que foram se modificando ao longo do tempo.

Essa teoria, formulada na segunda metade do século XIX pelo cientista inglês Charles Darwin, tem sido aperfeiçoada pelos pesquisadores e hoje é aceita pela maioria dos cientistas.

Após abandonar seus estudos em medicina, Charles Darwin (1809 – 1882) decidiu dedicar-se às pesquisas sobre a natureza. Em 1831 foi convidado a participar, como naturalista, de uma expedição de cinco anos ao redor do mundo organizada pela Marinha britânica.

Em 1836, de volta à Inglaterra, trazia na bagagem milhares de espécimes animais e vegetais coletados em todos os continentes, além de uma enorme quantidade de anotações. Após vinte anos de pesquisas baseadas nesse material, saiu sua obra prima: A Origem das Espécies através da seleção natural, livro publicado em 1859.

A grande contribuição de Darwin para a teoria da evolução foi a ideia da seleção natural. Ele observou que os seres vivos sofrem modificações que podem ser passadas para as gerações seguintes.

No caso das girafas, ele imaginou que, antigamente, haveria animais de pescoço curto e pescoço longo. Com a oferta mais abundante de alimentos no alto das árvores, as girafas de pescoço longo tinham mais chance de sobreviver, de se reproduzir e assim transmitir essa característica favorável aos descendentes. A seleção natural nada mais é, portanto, do que o resultado da transmissão hereditária dos caracteres que melhor adaptam uma espécie ao meio ambiente. […]

A ideia seleção natural não encontrou muita resistência, pois explicava a extinção de animais como os dinossauros, dos quais já haviam sido encontrados muitos vestígios. O que causou grande indignação, tanto nos meios religiosos quanto nos científicos, foi a afirmação de que o ser humano e o macaco teriam um parente em comum, que vivera há milhões de anos. Logo, porém surgiria a comprovação dessa teoria, à medida que os pesquisadores descobriam esqueletos com características intermediárias entre os humanos e os símios.

Etapas da evolução humana

Primatas: Os mais antigos viveram há cerca de 70 milhões de anos. Esses mamíferos de pequeno porte habitavam as árvores das florestas e alimentavam-se de olhas e insetos.

Hominoides: São primatas que viveram entre aproximadamente 22 e 14 milhões de anos atrás. O procônsul, que tinha o tamanho de um pequeno gorila, habitava em árvores, mas também descia ao solo; era quadrúpede, isto é, locomovia-se sobre as quatro patas. Descendente do procônsul, o kenyapiteco às vezes endireitava o corpo e se locomovia sobre as patas traseiras.

Hominídeos: Família que inclui o gênero australopiteco e também o gênero humano. O australopiteco afarense, que viveu há cerca de 3 milhões de anos, era um pouco mais alto que o chimpanzé. Já caminhava sobre os dois pés e usava longos braços se pendurar nas árvores. Mais alto e pesado, o australopiteco africano viveu entre 3 milhões e 1 milhão de anos. Andava ereto e usava as mãos para coletar frutos e atirar pedras para abater animais.

Homo habilis: Primeiro hominídeo do gênero Homo. Viveu por volta de 2,2 milhões a 780 mil anos atrás. Fabricava instrumentos simples de pedra, construía cabanas e, provável,ente, desenvolveu, uma linguagem rudimentar. Seus vestígios só foram encontrados na África.

Homo erectus: Descendeu do Homo habilis, viveu entre 1,8 milhões de anos e 300 mil anos atrás. Saiu da África, alcançando a Europa, a Ásia e a Oceania. Fabricava instrumentos de pedra mais complexos e cobria o corpo com peles de animais. Vivia em grupos de vinte a trinta membros e utilizava uma linguagem mais sofisticada. Foi o descobridor do fogo.

Homem de Neandertal: Provável descendente do Homo erectus, viveu há cerca de 200 mil a 30 mil anos. Habilidoso, criou muitas ferramentas e fabricava armas e abrigos com ossos de animais. Enterrava os mortos nas cavernas, com flores e objetos. Conviveu com os primeiros homens modernos e desapareceu por motivos até hoje desconhecidos.

Homo sapiens:  Descendente do Homo erectus, surgiu entre 100 mil e 50 mil anos atrás. Trata-se do homem moderno. Espalhou-se por toda a Terra, deixando variados instrumentos de pedra, osso e marfim. Desenvolveu a pintura e a escultura.

É preciso lembrar, porém, que essa listagem não está completa. Ela apenas resume o que foi possível concluir a partir dos fósseis estudados até hoje.

Ainda faltam muitas peças no quebra cabeça da evolução humana, por exemplo, o tão procurado “elo perdido”, aquele espécime com características de primatas e de humanos, que explicaria um importante passo da humanidade em sua fascinante aventura sobre a Terra.

Video aula de História: A Origem do Homem – Assine o Canal: https://www.youtube.com/channel/UC01t1lge7BKU6s2sZ1CkquQ

“Evolução humana” em Só História. Virtuous Tecnologia da Informação, 2009-2020. Consultado em 17/02/2020 às 19:33. Disponível na Internet em http://www.sohistoria.com.br/ef2/evolucao/index.php

Absolutismo Monarquico

O Absolutismo Monárquico desenvolveu-se na Europa Moderna com vistas a solucionar o problema das guerras civis religiosas e permaneceu como modelo político até o século XVIII.

No início da Era Moderna alguns acontecimentos foram determinantes: o desenvolvimento da ciência e das artes e as Reformas Protestantes estão entre eles. Como consequência desse último fenômeno, sobreveio ao continente europeu uma desestruturação progressiva do chamado Sacro Império RomanoGermânico, que havia se desenvolvido ainda na Idade Média. A partir disso, começaram as guerras civis religiosas, que provocaram um caos político. Essa situação caótica exigia um novo modelo político como resposta. Esse novo modelo foi o Estado Absolutista, ou simplesmente Absolutismo.

absolutismo consistia na concentração do poder político integralmente na figura do rei, do monarca. Ao rei era atribuída a legitimidade das instituições políticas, o fundamento da lei. Por isso, o termo que o caracteriza vem do adjetivo absoluto, que vige acima de todos. O fenômeno do absolutismo monárquico foi construído tanto pela autoridade e prestígio que a aristocracia guerreira conferia aos monarcas quanto pela necessidade de formação de Estados Nacionais fortes, com fronteiras muito bem delimitadas e que conseguissem oferecer segurança e confiança aos seus súditos.

Na Península Ibérica, a formação dos reinos espanhol e português esteve no despontamento do Estado Monárquico Absolutista. Em seguida, ocorreu a formação das monarquias francesa e inglesa, e assim sucessivamente. O exemplo considerado mais bem acabado do absolutismo é o de Luís XIV (1638-1715), monarca francês considerado o “Rei Sol”. É de Luís XVI a frase famosa que muitos historiadores afirmaram ser a síntese do absolutismo: “O Estado sou Eu”. Essa frase, em suma, significa: As instituições que comandam a nação (Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário) estão personificadas na figura do rei.

O rei Luís XIV (1643–1715), da França, rei absolutista monárquico que ficou conhecido pela frase: “L’état, c’est moi” (“Eu sou o Estado”).

À medida que as nações modernas estruturavam-se, principalmente Inglaterra, França e Espanha, e que o comércio ressurgia na Europa, uma nova classe social emergia com grande poderio econômico: a burguesia. Para a burguesia, a fragmentação política e econômica existente desde a Idade Média não era interessante, pois afetava seus negócios, principalmente por causa das diferenças de moeda e impostos existentes de uma província para outra (mesmo em províncias do mesmo reino, havia essas diferenças de moeda e impostos).

A nobreza, por sua vez, via com bons olhos a concentração do poder na figura do monarca como forma de garantir o controle das terras que possuía. Assim, a concentração do poder nas mãos do rei era uma demanda da burguesia em ascensão e também da nobreza.

Com o poder todo concentrado na pessoa do rei, cabia a ele a criação de impostosdeterminação e imposição das leisgarantir a segurança do reino, sufocar rebeliões e revoltas e impedir invasões e ataques estrangeiros. Para que isso acontecesse de forma eficiente, foi criada toda uma estrutura administrativa para auxiliar os reis em suas várias obrigações. Com a formação dos Estados Nacionais – as nações –, o rei determinava a imposição de moeda e idioma único para toda a nação, eliminando as diferenças que restringiam a atuação da crescente classe mercantil.

Como a economia das nações cresceu e fortaleceu-se, foi necessário garantir a proteção da produção nacional. Assim, foram criados impostos alfandegários, ou seja, impostos para produtos que eram produzidos em outros países. Com o poder concentrado em suas mãos e o crescimento da arrecadação, já que inúmeros impostos foram criados, o rei pôde formar um exército especializado e permanente para defender o reino.

Desse modo, o corpo da população de um Estado Absolutista não era um corpo de cidadãos, cuja soberania é garantida por uma Carta Constitucional, tal como hoje vigora no mundo ocidental. O corpo da população era constituído de súditos do rei, ainda em um regime muito semelhante ao da Idade Média. Era do rei que emanava a soberania, e não do povo e das instituições.

Os grandes teóricos do absolutismo monárquico foram Jean Bodin e o cardeal de Richelieu. Todavia, muitos filósofos do início da modernidade debruçaram-se sobre a necessidade de um poder político que desse fim às guerras, tais como Thomas Hobbes, Thomas Morus, Espinoza e John Locke.

Thomas Hobbes (1588-1679) – Defendia a ideia segundo a qual os homens só podem viver em paz se concordarem em submeter-se a um poder absoluto e centralizado.

O modelo do Estado Absolutista começou a entrar em colapso com a Revolução Francesa (1789), então aclimatada com ideais derivados do Iluminismo, que rejeitavam profundamente esse modelo político de alianças aristocráticas. A burguesia foi a principal protagonista da referida revolução e, na época, brigava por representação política – elemento que não lhe era conferido pelo modelo do absolutismo monárquico.

As características do absolutismo monárquico

A monarquia absoluta é definida por:

  • uma única pessoa dita as regras na gestão pública;
  • as regras e leis impostas pelo monarca não podem ser revogadas ou questionadas;
  • o rei tem o controle absoluto sobre a região ou país.
  • o poder absolutista consistia em tirar dos senhores feudais o poder que tinham sobre suas terras. Assim, os reis começam a criar as burocracias e os exércitos nacionais. É o chamado monopólio da violência.

A monarquia foi apoiada pela Igreja Católica, que afirmava que uma determinada pessoa ou família foi escolhida por Deus para governar como agente do divino na Terra.

O monarca absoluto respondia somente a Deus, ou seja, ele não podia ser removido ou questionado por homens e estava acima de qualquer reprovação.

Dentro do absolutismo monárquico, qualquer pessoa que se manifestasse contra o rei ou desobedecesse às suas leis, estava também desobedecendo a Deus.

Texto compilado: Cláudio Fernandes, Juliana Bezerra (Mestra em História) e Daniel Neves (Graduado em História)

https://alunosonline.uol.com.br/historia/absolutismo.html 
https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/historia/o-que-e-absolutismo.htm 
https://www.significados.com.br/absolutismo-monarquico/